Reciclagem transforma vida de famílias em Maria da Graça

Com capacidade para processar 250 toneladas de resíduos por mês, a iniciativa alia impacto ambiental e inclusão, promovendo geração de renda para famílias fluminenses

O descarte de materiais e produtos consumidos todos os dias por milhares de moradores do Rio tem representado uma oportunidade de recomeço para dezenas de famílias na Zona Norte da cidade. É no trabalho de coleta, triagem e comercialização de resíduos recicláveis que homens e mulheres que cumpriram pena ou viviam em situação de vulnerabilidade social encontram uma oportunidade para gerar renda e reconstruir suas trajetórias. Localizada no bairro Maria da Graça, a Cooperativa Popular Amigos do Meio Ambiente (Coopama) tornou-se uma das principais portas de entrada para quem enfrenta preconceito e dificuldades para ingressar no mercado de trabalho.

Eu vivia um caminho que me prejudicava. Eu sabia que aquilo não era o que eu queria para a minha vida. Procurei uma mudança, e a Coopama foi quem abriu as portas para eu recomeçar. Minha vida mudou completamente. Hoje moro com a minha esposa, consigo manter minha casa, cuidar da minha família e seguir com a minha saúde em dia. Eu encontrei um caminho diferente“, contou José (*), egresso do sistema prisional.

José foi um dos 100 participantes do projeto “Cooperar para Reciclar”, realizado pela Coopama com apoio do Programa Petrobras Socioambiental e parceria técnica da BVRio. Com capacidade para processar aproximadamente 250 toneladas de resíduos por mês, a iniciativa alia impacto ambiental e inclusão produtiva, promovendo geração de renda para famílias fluminenses.

A reciclagem também transformou a vida de Sandra Regina Silva Saturnino. Moradora do Jacarezinho, ela chegou à Coopama após deixar o trabalho como cozinheira. Atualmente, atua na triagem de materiais recicláveis provenientes da parceria com O Boticário e colabora com o bazar mantido pela cooperativa.

Os resultados obtidos com o trabalho despertaram o interesse de outros membros da família. Hoje, sua filha, de 37 anos, e seu neto, de 20, também atuam na cooperativa, contribuindo para a renda familiar.

“Quando entrei na Coopama, não imaginava que minha filha e meu neto também fariam parte dessa história. Hoje nós três trabalhamos aqui e crescemos juntos. A cooperativa mudou a nossa vida”, conta Sandra.

Para o fundador e presidente da Coopama, Luiz Fernandes, a reciclagem vai além da destinação adequada dos resíduos e tem um papel importante na geração de oportunidades para pessoas que encontram dificuldades para ingressar ou retornar ao mercado de trabalho.

A cooperativa tem como missão acolher pessoas que, por diferentes razões, ficaram à margem do mercado de trabalho. Muitas delas chegam em busca de uma nova oportunidade para reconstruir suas vidas. O nosso papel é oferecer condições para que possam trabalhar, gerar renda e retomar sua autonomia”, afirma Fernandes.

Além da comercialização dos recicláveis, o projeto Cooperar para Reciclar apoia melhorias na estrutura da cooperativa e na capacitação dos trabalhadores, buscando aumentar a quantidade de material processado e ampliar a renda dos participantes. Outro diferencial da iniciativa é o uso de tecnologia para ampliar a rastreabilidade dos materiais reciclados.

Parceira técnica do projeto, a BVRio desenvolveu ferramentas que permitem acompanhar o fluxo dos resíduos e mensurar os impactos ambientais e sociais gerados pelas cooperativas. Por meio do aplicativo KOLEKT e do Padrão de Créditos Circulares (CCM), é possível registrar a movimentação dos materiais recicláveis e comprovar resultados relacionados à reciclagem, geração de renda e fortalecimento das organizações participantes.

Quando cooperativas conseguem ampliar sua capacidade operacional, oferecer rastreabilidade e conectar catadores ao mercado formal, elas criam oportunidades de trabalho, renda e inclusão para pessoas que frequentemente encontram barreiras para ingressar no mercado de trabalho. É um exemplo concreto de como a economia circular pode contribuir para uma transição justa e para o desenvolvimento social das comunidades“, explica o especialista em economia circular da BVRio, Pedro Succar.

(*) Nome fictício

Fonte: Jornal Diário do Rio (https://diariodorio.com/reciclagem-transforma-vida-de-familias-em-maria-da-graca/)

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